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N1.05 - Comunhão com Deus pelo jejum

por Saulinho Farias

O que é o jejum e para que serve?

 

"Por isso me voltei para o Senhor Deus com orações e súplicas, em jejum, em pano de saco e coberto de cinza. Orei ao Senhor, ao meu Deus, e confessei: "Ó Senhor,...nós temos pecado e somos culpados".

Daniel 9:3-5  (NVI)

 

Nas escrituras, o jejum é a abstinência do alimento por certo período de tempo como sinal de busca intensa por Deus. Também significa "afligir a alma", como uma expressão lamentação pelo pecado e um profundo arrependimento.

 

É triste observar que a disciplina do jejum tem sido desvalorizada em nossa geração tendo tão profundo significado. Os apetites do corpo são negados. É como se disséssemos para nós mesmos que mais importante é buscar a Deus do que a satisfazer nossas necessidades. É uma expressão de esvaziamento e humildade.

 

Apesar de tão rico significado, muitos reduziram o jejum a mera ostentação religiosa. Na época dos profetas como também de Jesus, muitos faziam uso do jejum para de alguma maneira tentar evidenciar a sua falsa espiritualidade, para que todos vissem de alguma forma o quanto buscavam a Deus e eram zelosos. Jesus condenou esse jejum de aparências.

 

"Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará".  Mateus 6:16-18 (NVI)

 

Todavia é bom salientar que o próprio Jesus jejuou em alguns momentos do seu ministério (Mt 4.1-4) e deu a entender que os seus discípulos também jejuariam (Mt 9.14-15).

Em Atos, líderes cristãos jejuaram antes de escolher apóstolos ( Atos 13.2-3; 14.23); e o apóstolo Paulo mencionou duas vezes que jejuava ( II Co 6.5 e 11.27).

 

Muitos têm uma vida espiritualmente anêmica, sem força e sem brilho. Não desfrutam com intensidade do poder que lhe foi proporcionado no seu espírito porque possuem uma alma muito forte que ainda não foi quebrantada e sujeitada. Mas como poderia ser diferente? Todos os apetites do seu corpo acabam sendo rapidamente atendidos. Tais pessoas não experimentam o jejum e portanto não conhecem o seu valor.

 

Outro valor do jejum consiste na lembrança presente nesse momento daqueles que estão passando por grandes necessidades e fome, portanto de certa forma, você acaba sentindo o mesmo que eles e portanto, intercede pelos que sofrem bem como deve resultar em obras de caridade em favor deles.

 

Muito mais que renunciar o alimento

 

"Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta?" - Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que escolhi, que o homem um dia aflija a sua alma, incline a sua cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aceitável ao SENHOR? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?"

 

Isaias 58.3-7

 

Ao ler esse texto observamos que o conceito de jejum vai além da autonegação, no sacrificar alimentos e afligir a alma, pois inclui também o amor e o serviço abnegado pelo próximo, em outros termos, jejuar é renunciar o seu prato de comida e ofertá-lo a outro.  O texto acima revela que eles jejuavam, porém eram interesseiros e egoístas. O jejum ritual que praticavam eram na tentativa de adquirir o favor divino, mas não movido por genuíno arrependimento. Apesar de sacrificarem o alimento, eles se mantinham os mesmos, cheios de rixas, contendas, avareza e endurecidos para com o semelhante.

 

"Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros".  1 Samuel 15:22 (RA)

 

Podemos entender também que, em alguns momentos de nossas vidas, o Senhor pode tocar nosso coração para que sacrifiquemos por um tempo coisas, hábitos ou circunstâncias que são lícitas e importantes para nós, que até podem estar tomando um tempo ou espaço no coração além do devido. Você pode, por exemplo, abdicar por um tempo da academia, da internet ou tv, do cafezinho, ou até de um relacionamento ou do sexo (como no caso dos casados em I Coríntios 7.5,6). E tudo isso como oferta ao Senhor, como quem diz: "Senhor, tu És mais importante para mim do que tudo". E que tudo isso seja feito em secreto.

 

O jejum como preparação para uma luta espiritual

 

Em um certo momento, trouxeram um menino endemoninhado aos discípulos, mas eles não conseguiram repreender os demônios:

 

“Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; ... Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. Mateus 17:19-21

 

Existem situações de luta espiritual onde, alem de convicção, precisamos de uma certa dose de quebrantamento de nossa alma a fim de que o poder de Deus flua de nós sem as resistências naturais da nossa mente, vontade e sentimentos. E tal quebrantamento vem com jejum e oração. Acabamos por reconhecer que não é na nossa força que guerreamos contra principados e potestades, mas simplesmente pelo fluir do poder de Deus em nós. Glória seja dada a Ele!

 

O jejum que fazemos ao priorizar o reino

 

Quantas vezes, envolvidos no serviço do Senhor e pelo próximo, nós abdicamos de certos confortos, lazer, preferências, família, amigos ou até do próprio alimento? Em algumas situações, por priorizar o tempo com Deus ou mesmo o cuidado por vidas, acabamos até tendo que deixar pra comer depois. Assim também foi com Jesus, depois de dedicar um tempo especial à mulher samaritana, observe:

 

"Enquanto isso, os discípulos insistiam com ele: "Mestre, come alguma coisa". Mas ele lhes disse: "Tenho algo para comer que vocês não conhecem".

Então os seus discípulos disseram uns aos outros: "Será que alguém lhe trouxe comida?" Disse Jesus: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra". João 4:31-34 (NVI)

 

Portanto, que o jejum para você seja mais do que simplesmente abrir mão de uma ou mais refeições, que seja muito mais do que tentar alcançar alguma benção ou favor de Deus. Que não seja para que outros te admirem e vejam como você é alguém espiritual.

 

Que o jejum seja uma oferta verdadeira de um coração que está com fome de Deus e de agradá-lo.

 

Algumas perguntas para meditar

 

  • Entendi o real significado de jejum?

  • Tenho eventualmente jejuado? É uma disciplina para mim?

  • Existe outras coisas ou situações que eu poderia ofertar ao Senhor abdicando delas por um tempo, como sinal de adoração e quebrantamento?

  • Faço tudo isso em secreto? Ou divulgo minhas ações com o objetivo de ser admirado?

 

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©2015 criado por Saulinho Farias. Direitos Reservados.

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